O dirigente nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), João Pedro Stédile, afirmou na quinta-feira (16) que brigadas de militantes da América Latina estão se organizando para irem à Venezuela diante da tensão com os Estados Unidos.
Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, Stédile disse que a decisão foi tomada durante o Congresso Mundial em Defesa da Mãe Terra, realizado entre 8 e 10 de outubro em Caracas, capital venezuelana. O evento reuniu delegações de 65 países.
“Eu cheguei a colocar em votação na Assembleia do Congresso, que nós, movimentos da América Latina, vamos fazer reuniões e já estamos fazendo consultas para, no menor prazo possível, para organizar brigadas internacionalistas de militantes de cada um dos nossos países para ir à Venezuela e nos colocarmos à disposição do governo e do povo venezuelano”, afirmou Stédile.
O dirigente acrescentou que os militantes não têm formação militar, mas podem “fazer mil e uma coisas, desde plantar feijão e fazer comida para os soldados a estar ao lado do povo se houver uma invasão militar dos Estados Unidos”.
Tensão entre EUA e Venezuela
Na sexta-feira (17), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (Partido Socialista Unido da Venezuela, esquerda), “não quer arrumar confusão” com os norte-americanos.
Trump comentou sobre informações de que Maduro teria oferecido “tudo”, inclusive recursos naturais, em troca de um acordo com Washington: “Ele ofereceu tudo, é verdade. Sabe por quê? Porque ele não quer arrumar confusão com os Estados Unidos”, disse.
O presidente norte-americano também afirmou ter autorizado operações terrestres na Venezuela. Segundo reportagem do jornal New York Times, o governo dos EUA deu carta-branca para que a CIA (Agência Central de Inteligência) derrube o regime de Maduro.
O líder venezuelano nega envolvimento com o tráfico de drogas e afirma que os ataques norte-americanos a barcos que circulam no mar do Caribe são um “pretexto para mudança de regime” e uma violação da soberania do país.



