A CPI do INSS rejeitou nesta quinta-feira (16) a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice-presidente do Sindnapi, responsável por representar aposentados e pensionistas. Foram 19 votos contra e 11 a favor.
O pedido, incluído pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), fazia parte do bloco de depoimentos que investiga supostos descontos irregulares em benefícios previdenciários. Viana defendia a convocação para esclarecer possíveis vínculos entre o Sindnapi e o esquema. Integrantes da CPI entenderam que não havia elementos suficientes.
A oposição acusa o governo de tentar blindar Frei Chico. Aliados de Lula afirmam que ele ocupa um cargo simbólico no Sindnapi há apenas um ano e não interfere nas finanças da entidade.
O sindicalista de 77 anos é histórico do movimento sindical e apresentou Lula à militância operária nos anos 1970. O Sindnapi afirmou que foi “surpreendido” pela operação da PF em 9 de outubro e que colabora com as autoridades. A ação foi autorizada pelo STF e investiga descontos automáticos de contribuições sem autorização dos beneficiários.
Na mesma sessão, a CPI ouviu Cícero Marcelino, assessor da Conafer, para apurar se a confederação teve papel semelhante no esquema.
Arrecadação recorde
Relatório da CGU apresentado pelo relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), mostrou que o Sindnapi arrecadou R$ 599,2 milhões entre 2015 e 2025, com 26,4 milhões de descontos nos benefícios — 96,8% sem autorização dos beneficiários.
Gaspar destacou o aumento expressivo da arrecadação nos últimos anos: de R$ 24 milhões em 2020 para R$ 151,9 milhões em 2023, após a chegada de Milton Cavalo à presidência do sindicato. Questionado sobre o crescimento, o sindicalista não respondeu.



