O ministro Luís Roberto Barroso anunciou, nesta quinta-feira (9), que está deixando o Supremo Tribunal Federal (STF) antes do prazo de aposentadoria compulsória, previsto apenas aos 75 anos. O comunicado foi feito durante sessão plenária da Corte, marcando o fim de um ciclo de 12 anos no tribunal e dois anos à frente da presidência do Supremo.
“Essa é a última sessão plenária de que participo”, disse Barroso, emocionado, ao se despedir dos colegas. Em carta lida no plenário, ele afirmou que a experiência foi de “imensa dedicação à causa da justiça e da democracia” e agradeceu a oportunidade de ter servido ao país.
O ministro também destacou as dificuldades enfrentadas ao longo do período e disse que é hora de “seguir outros rumos”. “Nem sequer os tenho bem definidos, mas não tenho qualquer apego ao poder”, declarou.
Nos bastidores, a saída de Barroso já era esperada desde o fim de sua presidência no STF, em setembro, quando Edson Fachin assumiu o comando da Corte para o biênio 2025-2027.
Com a decisão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá a oportunidade de fazer sua terceira indicação ao Supremo neste mandato — um movimento que deve gerar forte disputa política e interesse em Brasília.
Fontes próximas a Barroso afirmam que o ministro já havia manifestado há tempos o desejo de deixar o cargo após a presidência, mas que a crescente tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos acelerou a decisão. A ofensiva do governo de Donald Trump contra o ministro Alexandre de Moraes, que incluiu a suspensão de vistos de aliados e familiares, acabou afetando indiretamente a família de Barroso, contribuindo para sua saída antecipada.



