O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), que tem como vice-presidente Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pressionou o governo petista para flexibilizar as regras e permitir o desconto de mensalidades diretamente nos benefícios do Bolsa Família e do BPC (Benefício de Prestação Continuada).
Conforme publicou o portal Metrópoles, o pedido foi feito no início do governo, em 30 de janeiro de 2023, por meio de ofício enviado ao então ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT), que deixou o cargo em maio após ser alvo de operação da Polícia Federal (PF) contra fraudes bilionárias no INSS.
Atualmente investigado no escândalo da farra dos descontos indevidos sobre aposentadorias, o Sindnapi também solicitou no documento que os contratos com aposentados fossem renovados automaticamente, sem necessidade de nova autorização, e que as entidades com acordos com o INSS pudessem prestar serviços digitais e serem remuneradas por isso.
O sindicato ainda tentou acabar com o bloqueio automático dos descontos em novos benefícios, alegando dificuldades no sistema para que aposentados desbloqueassem a cobrança. Apesar da pressão, o pedido para descontar valores do Bolsa Família e do BPC não foi atendido.
O Sindnapi, ligado à Força Sindical, é suspeito de envolvimento no esquema que gerou um aumento expressivo no número de filiados entre 2021 e 2023 — de 170 mil para 420 mil — e elevou seu faturamento de R$ 41 milhões para R$ 149 milhões no período.
Frei Chico, irmão de Lula, é dirigente do sindicato desde 2008 e assumiu a vice-presidência em 2024. A entidade nega irregularidades e afirma que a apresentação das pautas foi legítima: “É natural que as lideranças procurem o novo governo para articular suas demandas”, declarou o Sindnapi em nota.
A investigação da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Advocacia-Geral da União (AGU) sobre os descontos indevidos não inclui o Sindnapi até o momento.



