A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) anunciou que está fora do Brasil desde antes da condenação que recebeu no Supremo Tribunal Federal (STF). Em live transmitida nesta terça-feira (3), ela revelou estar nos Estados Unidos para tratamento médico, mas que pretende pedir licença do mandato e se estabelecer na Europa, onde possui cidadania.
A declaração ocorre dias após a Primeira Turma do STF condená-la, por unanimidade, a 10 anos de prisão em regime fechado. Zambelli foi sentenciada pela participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em esquema articulado com o hacker Walter Delgatti Neto. Além da pena, ela deverá pagar R$ 2 milhões em danos materiais e morais, perdeu os direitos políticos por oito anos e pode ter o mandato cassado pela Câmara após o trânsito em julgado da decisão.
Na live, a deputada afirmou que sua saída do país tem também caráter político. Segundo ela, trata-se de um gesto de “resistência” e uma forma de denunciar o que chama de “ditadura judicial” no Brasil. Zambelli prometeu acionar “todas as cortes” da Europa para relatar o que vê como cerceamento de liberdades no país. “Me cansei de ficar calada, de não atender o meu público”, disse.
Ela citou a condenação da cabeleireira Débora Rodrigues, presa por depredar a estátua da Justiça em 8 de janeiro, como exemplo de supostas injustiças, e criticou o STF, acusando a Corte de legislar e interferir no Parlamento. “Eu parei para pensar na quantidade de amarras que a gente tem… O que o Parlamento faz é desfeito no STF”, afirmou.
Zambelli também voltou a atacar o sistema eleitoral brasileiro, dizendo que as urnas “não são confiáveis” e que pesquisas eleitorais são manipuladas. Disse ainda que foi usada como “bode expiatório” na derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, por conta do episódio em que perseguiu um homem armada às vésperas do pleito.
Apesar das acusações, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) nas urnas do segundo turno de 2022 não encontrou irregularidades.
A defesa de Zambelli ainda não se manifestou oficialmente sobre a fuga do país nem sobre os próximos passos jurídicos. A deputada disse que sua mãe passará a administrar as redes sociais e já solicitou a substituição do nome de usuário, temendo decisão judicial que a impeça de acessar os canais.



