O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (9) uma pausa de 90 dias na aplicação de tarifas alfandegárias para mais de 75 países. A suspensão temporária das taxas, válida de forma imediata, visa abrir espaço para negociações comerciais bilaterais.
Apesar da trégua com a maioria das nações, a China ficou de fora do alívio. Pelo contrário: as tarifas aplicadas a Pequim foram drasticamente elevadas, saltando de 104% para 125%, também com efeito imediato.
“A China é o maior abusador da história. Alguém precisava fazer isso. E ninguém além de mim teria coragem”, declarou Trump em coletiva na Casa Branca. “Eles [os chineses] não sabem como fechar um acordo. Mas vão descobrir.”
A decisão, segundo o presidente, é uma resposta ao “desrespeito sistemático da China pelos mercados globais” e à “exploração econômica” dos Estados Unidos.
Em publicação na Truth Social, Trump afirmou:
“Autorizei uma PAUSA de 90 dias e uma Tarifa Recíproca reduzida de 10% para mais de 75 países. Com a China, no entanto, a nova tarifa de 125% começa a valer hoje.”
O movimento acontece em meio à volatilidade nos mercados financeiros. Desde a semana passada, Wall Street vinha enfrentando quedas expressivas. Após o anúncio da suspensão, a bolsa nova-iorquina reagiu positivamente: o Nasdaq valorizou mais de 10%, o Dow Jones subiu 6,7% e o S&P 500 teve alta de 7,3%.
Apesar da coincidência com o alívio no mercado, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, negou que a decisão tenha sido influenciada pelas recentes perdas em Wall Street.
“Mais de 75 países nos procuraram querendo negociar. A pausa é estratégica e vai facilitar esse processo”, disse Bessent.
Pequim responde com retaliação
Horas depois do anúncio de Trump, o governo chinês respondeu com medidas de retaliação. As tarifas sobre produtos americanos foram elevadas de 34% para 84%, e Pequim também emitiu um alerta de risco para cidadãos chineses viajando aos Estados Unidos, citando a “deterioração das relações econômicas e comerciais sino-americanas”.
“Esperamos que num futuro próximo a China entenda que os dias de explorar os EUA acabaram. Isso não é mais sustentável nem aceitável”, disparou Trump.
A nova ofensiva tarifária representa uma escalada nas tensões entre as duas maiores economias do mundo e reabre a disputa comercial que marcou o primeiro mandato do ex-presidente.



