A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) realizou uma operação que envolveu a espionagem de autoridades do Paraguai, segundo uma investigação revelada pela coluna de Aguirre Talento, do portal UOL. A apuração tem como base depoimentos de servidores da agência e documentos analisados pela Polícia Federal (PF).
Operação e Itaipu
De acordo com matéria veiculada no portal Pleno News, a operação teria sido planejada durante o governo anterior, mas executada na atual gestão. O objetivo era obter informações sigilosas sobre as negociações de tarifas da usina hidrelétrica de Itaipu, tema de disputa entre Brasil e Paraguai.
A operação teria utilizado o software Cobalt Strike, ferramenta comumente empregada para invasão de dispositivos eletrônicos. Segundo fontes citadas pelo UOL, os dados coletados incluíram informações de autoridades paraguaias e as tentativas de invasão teriam partido de servidores localizados no Chile e no Panamá.
O episódio ocorreu meses antes das negociações sobre os valores pagos pelo Brasil ao Paraguai pela energia de Itaipu, concluídas em maio de 2024. Ainda não há confirmação se as informações obtidas influenciaram nas tratativas.
Investigação da PF
A Polícia Federal investiga se a operação teve caráter ilegal. O caso faz parte de um inquérito que inicialmente apurava desvios na Abin durante a gestão anterior e que passou a incluir possíveis irregularidades na administração atual.
Os investigadores questionam se a operação teve aval da cúpula da Abin. Segundo a apuração, a ação teria sido aprovada inicialmente em junho de 2022, no governo anterior, e teria sido apresentada posteriormente à nova direção da Abin.
Posicionamento do governo
O governo federal negou qualquer envolvimento na operação e afirmou que a ação foi autorizada antes da atual gestão. Segundo nota oficial, a espionagem foi cancelada em março de 2023, quando a nova administração tomou conhecimento da ação.
“O governo do presidente Lula desmente qualquer envolvimento em ação de inteligência contra o Paraguai, país membro do Mercosul com o qual o Brasil mantém relações históricas e uma estreita parceria. A citada operação foi autorizada pelo governo anterior, em junho de 2022, e tornada sem efeito pelo diretor interino da Abin em 27 de março de 2023, tão logo a atual gestão tomou conhecimento do fato”, diz o comunicado.
O governo também ressaltou que o atual diretor da Abin, Luiz Fernando Corrêa, assumiu o cargo em 29 de maio de 2023, quando a operação já teria sido encerrada.



