A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou Thaynara Ribeiro Gomes a seis anos de reclusão em regime semiaberto por cárcere privado e integração a organização criminosa. A decisão está ligada ao sequestro, julgamento e execução de Felipe Batista de Carvalho, de 19 anos, em um “tribunal do crime” organizado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). As informações foram divulgadas pelo TopMídia News.
O Início do Caso
O Ministério Público revelou que Felipe tinha um relacionamento com a filha de Thaynara, uma criança de 11 anos. Em abril de 2022, ela atraiu o jovem até sua casa, alegando que ele deveria conversar com integrantes do PCC. No local, ele foi mantido em cárcere privado e submetido a um julgamento clandestino.
A acusação apontou que Thaynara, que possuía sentimentos amorosos por Felipe, sentiu-se rejeitada ao descobrir o envolvimento dele com sua filha. Apesar de qualquer suposto consentimento, a legislação brasileira considera estupro toda relação com menores de 14 anos.
A partir disso, Thaynara acionou Paulo Cesar Leite Modesto, pai da criança e preso à época, que coordenou, de dentro da cadeia, a execução da sentença imposta pelos criminosos.
Julgamento e Execução
A primeira tentativa de julgamento ocorreu na “1ª Cantoneira”, na “Invasão da Homex”, mas foi abandonada por conta de um tumulto. O julgamento foi transferido para a “2ª Cantoneira”, na casa de uma testemunha. No local, Felipe foi enforcado por membros do PCC, incluindo criminosos conhecidos como “Jamaica”, “Gordinho” e “Ceifador de Almas”.
Durante todo o julgamento, a vítima permaneceu amarrada e sem chance de se defender.
Desaparecimento e Descoberta do Corpo
O corpo de Felipe foi transportado em um carro branco e deixado em uma região de matagal. Apenas no dia 20 de abril de 2022, ele foi localizado na Rua Wilson Paes de Barros, zona rural de Campo Grande. Junto aos pertences da vítima, havia um papel com dados bancários de Thaynara, o que reforçou sua conexão com o crime.
Apesar das provas, Thaynara foi absolvida da acusação de homicídio qualificado, conforme o artigo 386 do Código de Processo Penal.
Sentença e Condenação
Thaynara foi condenada a um ano de reclusão pelo crime de cárcere privado e cinco anos de reclusão, acrescidos de 10 dias-multa, por integração a organização criminosa. As penas foram somadas, totalizando seis anos de reclusão em regime semiaberto. O pedido de substituição por penas alternativas foi negado.



