Quase dez anos depois de ser vítima de abuso sexual, uma estudante da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) recebeu a notícia de que o professor responsável pelo crime foi condenado. O caso aconteceu em 2016, durante uma festa em uma república de estudantes em Campo Grande, quando a jovem foi abusada pelo docente de biologia da universidade.
De acordo com a defesa da vítima, foram suas amigas, que também estavam na festa, que a encorajaram a procurar a delegacia para denunciar o abuso. O caso tramitou em segredo de Justiça e a condenação foi proferida recentemente em primeira instância, com possibilidade de recurso por parte do réu.
A defesa destacou que o processo demorou mais do que o esperado, refletindo a complexidade de identificar um comportamento criminoso em um primeiro momento, especialmente em um ambiente acadêmico. “É uma violência simbólica. Uma linguagem exercida no contexto acadêmico, onde a vítima pode se sentir culpada, atemorizada e com dificuldades para compreender o que aconteceu”, afirmou a advogada.
Apesar dos desafios, a investigação foi baseada nas provas coletadas e nos depoimentos das testemunhas que estavam presentes na festa, que ajudaram a esclarecer os fatos. A Justiça considerou a presença de estupro de vulnerável, e a advogada acredita que a condenação pode incentivar outras vítimas a denunciarem situações semelhantes.
O Crime e o Processo
O crime ocorreu em 2016, quando alunos da pós-graduação da UFMS realizaram uma confraternização em uma república de estudantes, evento que contou com a presença do professor. De acordo com a defesa da vítima, ela estava embriagada e desorientada quando o abuso aconteceu.
Após o ocorrido, as amigas da jovem a ajudaram a compreender o que havia acontecido e a incentivaram a registrar a denúncia na polícia. A partir daí, o caso foi investigado e o processo seguiu seu curso até a recente condenação.
A UFMS e o Afastamento do Professor
A universidade foi procurada à época do ocorrido, mas, segundo a defesa da vítima, nenhum procedimento administrativo foi aberto. O professor seguiu atuando na instituição até que a condenação foi tornada pública.
Em resposta à condenação, a UFMS divulgou uma nota informando que determinou o afastamento preventivo do docente, lotado no Instituto de Biociências, e constituiu uma Comissão de Processo Administrativo Disciplinar para investigar o caso. A decisão foi baseada em parecer da Procuradoria Federal da universidade e revisa uma decisão anterior, de 2016, que não havia apurado o fato.
A defesa da vítima argumenta que, embora o crime não tenha ocorrido dentro das dependências da universidade, ele aconteceu no contexto das atividades acadêmicas, refletindo as práticas pedagógicas no ambiente universitário.
*Com informações do Primeira Página.



