A insatisfação entre vereadores da base aliada da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), tem movimentado os bastidores políticos antes mesmo do retorno das atividades legislativas. Parlamentares descontentes avaliam a formação de um bloco de oposição, o que pode dificultar a aprovação de projetos estratégicos da administração municipal. O grupo, que pode reunir até dez vereadores, é articulado pelo ex-prefeito Marquinhos Trad (PDT) e tende a impactar votações que exigem maioria qualificada. O movimento chama atenção, especialmente porque Trad, agora vereador, retorna ao cenário político em um posto hierarquicamente inferior à sua ex-vice-prefeita, Adriane, e parece disposto a exercer influência na nova gestão por meio da Câmara.
A origem do descontentamento estaria na postura da prefeita durante reuniões iniciais com os vereadores. Segundo apuração, Adriane Lopes teria minimizado demandas da base, reforçando que os parlamentares já possuem seus mandatos e, portanto, o espaço político necessário. A resposta não foi bem recebida, especialmente entre os quatro vereadores do PP e os dois do Avante, que esperavam maior participação na gestão. Com isso, cresce a possibilidade de articulação de um bloco independente para pressionar o Executivo, movimento que encontra em Trad um entusiasta, à medida que ele busca reafirmar sua relevância política no município.
Além da insatisfação com a interlocução política, a prefeita ainda enfrenta dificuldades para definir a liderança do governo na Câmara. Beto Avelar (PP) não pretende continuar no cargo, enquanto os vereadores mais experientes do partido, Professor Riverton e Delei Pinheiro, também demonstram desinteresse. Entre os nomes mais próximos do governo, os novatos Maicon Nogueira (PP), Wilson Lands (Avante) e Leinha (Avante) surgem como opções, com Maicon sendo o mais cotado. Ainda segundo a reportagem do portal Investiga MS , Marquinhos Trad foi procurado, mas não se manifestou sobre a possível formação do blocão, enquanto os demais vereadores confirmam diálogos nos bastidores, mas evitam declarações públicas sobre o tema.



