O governo francês anunciou nesta terça-feira (26) que rejeitará o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, citando preocupações sanitárias e ambientais como principais argumentos. A declaração ocorreu em audiência no Parlamento, em Paris, onde o presidente Emmanuel Macron confirmou que a França bloqueará qualquer avanço no tratado.
Deputados franceses foram contundentes nas críticas ao acordo, questionando o uso de pesticidas e antibióticos permitidos no Mercosul, banidos na Europa. André Chassaigne, da Esquerda, afirmou que o tratado “não respeita os desafios do século 21”, enquanto Marie Pochon, do grupo ecologista, chamou a proposta de “acordo dinossauro”.
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A segurança alimentar foi outro ponto levantado. A Comissão Europeia, segundo Vincent Trebuchet, revelou que o Brasil enfrenta dificuldades para garantir normas sanitárias, enquanto apenas o Uruguai demonstraria condições adequadas de rastreabilidade. Deputados de direita como Helene Laporte criticaram a produção de carne bovina brasileira, acusando-a de depender de práticas proibidas na Europa.
Acordo condicionado ao Acordo de Paris
Sophie Primas, ministra do Comércio Exterior, destacou que o cumprimento do Acordo Climático de Paris será uma exigência fundamental para qualquer negociação futura. A proposta da França sugere que países que não respeitem as metas de emissões poderiam ser suspensos do tratado, ampliando a pressão sobre o Mercosul.
Protestos e divisão no bloco europeu
Enquanto agricultores europeus intensificam os protestos contra a abertura do mercado para produtos agrícolas do Mercosul, países como Alemanha, Espanha e Portugal defendem o acordo. No entanto, França e Polônia lideram um bloco contrário, com a Itália ainda em dúvida.
Reuniões decisivas e interesses brasileiros
Negociações em Brasília nesta semana são vistas como cruciais para o futuro do tratado. Diplomatas brasileiros trabalham para garantir avanços, mas exigem proteção contra possíveis tarifas ambientais que poderiam prejudicar as exportações de carne e outros produtos agrícolas.
A resistência francesa, entretanto, sinaliza que o caminho para a aprovação final do acordo na União Europeia será repleto de desafios.
*Com informações do UOL.



