O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou, em entrevista à revista Veja, qualquer conhecimento sobre o suposto plano para assassinar o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, revelado pela Polícia Federal (PF) na terça-feira (19). A investigação aponta que militares próximos ao governo de Bolsonaro estariam envolvidos no esquema.
Bolsonaro afirmou que jamais discutiu ou endossaria um plano de assassinato ou golpe de Estado. “Lá na Presidência havia mais ou menos 3.000 pessoas naquele prédio. Se um cara bola um negócio qualquer, o que eu tenho a ver com isso? Discutir comigo um plano para matar alguém, isso nunca aconteceu”, declarou. Ele também ressaltou que as propostas discutidas após a derrota nas eleições de 2022 estavam restritas a ações previstas na Constituição, como o uso do estado de sítio, que precisa da aprovação do Congresso.
Continue após a publicidade
Além disso, as chamadas “minutas golpistas”, documentos apreendidos pela PF, indicam a intenção de adotar medidas de exceção para impedir a posse de Lula, como o estado de defesa e o estado de sítio. Bolsonaro sustenta que nunca buscou uma ruptura democrática, afirmando que tais ações, previstas na Constituição, precisariam da autorização legislativa.
Entre os investigados, está o general da reserva Mario Fernandes, que, segundo a PF, guardava em um HD externo o plano para matar as autoridades. Em mensagens, Fernandes relatou uma conversa com Bolsonaro sobre ações até 31 de dezembro de 2022.
A Polícia Federal indiciou Bolsonaro e outras 36 pessoas por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição violenta do Estado democrático de Direito. O relatório da PF será analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se apresentará denúncia contra os envolvidos ao Supremo Tribunal Federal (STF).



