O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a protagonizar declarações polêmicas nesta terça-feira (19), ao ameaçar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante um discurso no Senado, Flávio afirmou que o bolsonarismo busca conquistar maioria na Casa para promover o impeachment do magistrado, caso uma anistia ampla não seja aprovada.
“Moraes tem duas opções: ou a gente aprova a anistia ampla, geral e irrestrita, e algum parlamentar faz uma emenda para incluir ele [ministro] nessa anistia, porque ele cometeu crimes, ou a gente da mesma forma vai aprovar a anistia e, quando tivermos maioria nesse Senado, vamos cassar o Alexandre de Moraes. Ele vai ser impedido pelos diversos crimes que vem cometendo”, declarou.
Contexto das Declarações
As palavras do senador ocorrem no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Contragolpe, que prendeu preventivamente quatro militares e um policial federal. Eles são acusados de participação em um plano que, segundo as investigações, visava assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, em dezembro de 2022, para manter Jair Bolsonaro no poder.
Flávio, por sua vez, minimizou as apurações. “Pensar em matar alguém não é crime”, declarou mais cedo, antes de acusar Moraes de ser um “perseguidor político”. Ele aproveitou para reafirmar o apoio à anistia ampla aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, incluindo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Campanha pela Anistia
O bolsonarismo busca apoio no Congresso para aprovar uma anistia ampla, geral e irrestrita, que incluiria os condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Segundo Flávio, a medida é necessária para evitar que “crimes cometidos por autoridades” também sejam ignorados.
No entanto, a proposta enfrenta resistência tanto no Legislativo quanto no Judiciário. Líderes de partidos de oposição criticaram as declarações do senador, classificando-as como “ameaças antidemocráticas”.
Plano do Bolsonarismo
Flávio afirmou que o impeachment de Moraes será prioridade caso o bolsonarismo consiga eleger dois terços do Senado em 2026, número necessário para cassar ministros do STF.
A estratégia mostra que, além da anistia, o bolsonarismo mantém foco na desestabilização de Moraes, figura central nas investigações sobre atos antidemocráticos e operações recentes contra aliados de Bolsonaro.
Operação Contragolpe
A operação deflagrada pela PF investigou supostos planos de golpe de Estado que incluíam execuções e ações violentas para garantir que Jair Bolsonaro permanecesse no poder após perder as eleições de 2022. Os investigados estão sendo monitorados e podem enfrentar acusações de conspiração, terrorismo e outros crimes.
A escalada de tensões entre bolsonaristas e o STF evidencia a complexidade do cenário político brasileiro, marcado por disputas de poder e acusações graves que desafiam a estabilidade democrática do país.



