A Polícia Federal indiciou o ex-candidato à Prefeitura de São Paulo Pablo Marçal (PRTB) pelo crime de uso de documento falso, após ele divulgar um laudo médico falsificado envolvendo o deputado Guilherme Boulos (PSOL) durante o primeiro turno das eleições municipais. O laudo, apresentado como prova de que Boulos teria sido internado por uso de drogas, foi prontamente investigado pela PF, que, ainda no mesmo dia, abriu um inquérito para apurar a autenticidade do documento.
Marçal prestou depoimento nesta sexta-feira (8), em uma audiência que durou cerca de três horas, na qual foi oficialmente informado de seu indiciamento. Durante o depoimento, ele alegou desconhecer a falsidade do documento e afirmou que a publicação foi feita por sua equipe de campanha.
O documento, que exibia o nome “Guilherme Castro Boulos” como paciente, indicava uma suposta consulta em janeiro de 2021 com o médico José Roberto de Souza. No entanto, investigações revelaram que o registro profissional de Souza está inativo desde 2022, e que o médico já é falecido, conforme consulta ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp).
No laudo falso, o médico supostamente descrevia uma emergência psiquiátrica, com sintomas como “surto psicótico grave”, “delírio persecutório” e “ideias homicidas”. Ainda segundo o documento, um exame toxicológico teria indicado a presença de cocaína. Contudo, o teor do laudo e a condição do médico indicaram a falsificação, segundo concluíram as autoridades após análise.
Esse caso chama a atenção para o uso de informações falsas durante campanhas políticas, especialmente em um contexto no qual o uso de documentos falsificados pode influenciar a percepção pública de candidatos. Até o momento, a defesa de Marçal não se pronunciou sobre o indiciamento.



