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Cientistas de Oxford avançam na criação da vacina contra o câncer de ovário

Sputnik / Serviço de Imprensa da AFK Sistema

Pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, estão desenvolvendo a primeira vacina contra o câncer de ovário, oferecendo esperança de prevenção para uma doença que é a segunda mais comum entre os cânceres ginecológicos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). O financiamento para o estudo, anunciado nesta sexta-feira (4), pode representar um avanço significativo no controle da doença.

A vacina, batizada de OvarianVax, foi projetada para treinar o sistema imunológico a reconhecer e atacar as proteínas presentes na superfície das células cancerígenas nos estágios iniciais do câncer de ovário. A pesquisa foi financiada pelo Cancer Research UK, que destinou cerca de 600 mil libras (aproximadamente 4,3 milhões de reais) para os próximos três anos.

Desafios e avanços da pesquisa

O professor Ahmed Ahmed, líder do estudo, destaca que, apesar de ainda levar alguns anos até que uma vacina esteja disponível para o público, o financiamento marca um passo crucial em direção à prevenção eficaz. “Precisamos de melhores estratégias para prevenir o câncer de ovário. Atualmente, mulheres com mutações BRCA1/2, que estão em risco muito alto, recebem cirurgia que previne o câncer, mas as priva da chance de ter filhos depois. Ao mesmo tempo, muitos outros casos de câncer de ovário não são detectados até que estejam em um estágio muito mais avançado”, afirma Ahmed.

Mulheres com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 têm um risco significativamente maior de desenvolver câncer de ovário, até 65% e 35% mais alto, respectivamente, em comparação àquelas sem essas alterações genéticas.

O funcionamento da vacina

O projeto da vacina é baseado em pesquisas anteriores que indicam que as células imunes de pacientes com câncer de ovário podem “lembrar” dos tumores, o que abre caminho para o treinamento do sistema imunológico. A fase inicial dos testes ocorrerá em laboratório, utilizando amostras de pacientes, com o objetivo de identificar quais proteínas nas células cancerígenas são mais fortemente reconhecidas pelas defesas do corpo.

Se bem-sucedida, a fase seguinte envolverá testes clínicos com pacientes portadores das mutações BRCA1 e BRCA2, além de uma população saudável, para determinar se a vacina pode prevenir o surgimento do câncer.

Perspectivas futuras

“Ensinar o sistema imunológico a reconhecer os primeiros sinais de câncer é um desafio difícil. Mas agora temos ferramentas altamente sofisticadas que nos dão insights reais sobre como o sistema imunológico reconhece o câncer de ovário”, acrescenta Ahmed.

Com esse projeto pioneiro, os pesquisadores esperam que, no futuro, a vacina possa ser uma solução preventiva para mulheres com alto risco de desenvolver a doença, transformando a abordagem no combate ao câncer de ovário.

As informações são do Metrópoles.