O presidente Lula (PT) declarou que o regime de Nicolás Maduro na Venezuela possui um “viés autoritário”, mas não pode ser classificado como uma ditadura. Durante uma entrevista à Rádio Gaúcha, Lula afirmou que só reconheceu a vitória do aliado após a divulgação das atas eleitorais, e sugeriu novas eleições, uma proposta que não foi bem recebida, tanto pela oposição quanto por Maduro.
“Eu acho que a Venezuela vive um regime muito desagradável. Não acho que é ditadura, é diferente de ditadura, é um governo com viés autoritário, mas não é uma ditadura como conhecemos em vários países do mundo”, disse Lula, sem esclarecer as diferenças entre os conceitos de “viés autoritário” e ditadura, mas defendendo a necessidade de diálogo com Maduro.
Lula mencionou ainda que o ex-chanceler Celso Amorim, seu assessor especial, quase foi impedido de acompanhar o pleito em Caracas. “Eu fui informado que eles [governo Maduro] tinham pedido para o Celso Amorim não ir para a Venezuela. Eu mandei comunicar a eles que, se o Celso Amorim não pudesse ir, eu comunicaria à imprensa que a Venezuela estava impedindo o Celso Amorim. Aí, deixaram o Celso Amorim ir”, relatou.

Cautela no Reconhecimento dos Resultados Eleitorais
Lula reforçou que só reconhecerá o resultado como legítimo se houver provas de que a eleição foi democrática. Na quinta-feira (15), ele já havia dito que só deve endossar o aliado Maduro após a divulgação das atas eleitorais.
Maduro anunciou sua reeleição em meio a um resultado controverso, contestado pela oposição e pela ONU (Organização das Nações Unidas). A demora na divulgação das atas eleitorais, entregues ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela, foi justificada pelo governo venezuelano como resultado de um hackeamento no sistema de apuração.
“A oposição logo diz: ‘eu ganhei’, e o Maduro logo diz: ‘eu ganhei’. Mas ninguém tem prova. A oposição tem que mostrar as atas para comprovar o resultado. Eles disseram que tiveram 60% do resultado, Maduro disse que teve 61%. Então, que mostrem”, concluiu Lula.



