Neste sábado (20), aconteceu a eleição para a escolha do novo síndico que deverá assumir a vaga no Condomínio Vitalitá. Em um pleito repleto de reviravoltas, o militar aposentado Marcus Paulo Velozo foi eleito com 273 votos, pelos moradores do Residencial.
Essa eleição deve ficar para a história como a eleição que ‘deu o que falar’ em Campo Grande. Conforme noticiou o Star Mídia News, as confusões relacionadas ao pleito foram muitas: desde boletim de ocorrência, passando por ameaças e trocas de acusações, até processos judiciais, tomam contam do pleito.
A votação foi realizada neste sábado (20), no salão de festas do condomínio. O processo todo aconteceu sob forte tensão, necessitando até da presença da Polícia Militar para conter os ânimos exaltados dos moradores. Velozo foi declarado vencedor com 273 votos.
Veja como ficou a votação:
De um total de 404 votos, pela renovação, Marcus Velozo ficou com 273, Luiz Fernando Villar pela reeleição ficou com 125 e Marina obteve um total de 6 votos.
Conselho fiscal:
Karina 28, Marcelo 25, Alyne 278, Marta 159, Beto 254, Natal 239 e Vitor 133.
Localizado na Vila Margarida, próximo ao Parque do Sóter, o condomínio abriga mais de dois mil moradores, muitos deles servidores públicos com altos salários. O cargo de síndico, com uma remuneração de R$ 9,6 mil, tornou-se um ponto de disputa acirrado, especialmente devido à insatisfação com a gestão atual.
Leia também: Eleição em condomínio é marcada por confusão, bate-boca e suspeita de corrupção
Leia também: Acusado de omissão, síndico é barrado e não pode participar de eleição do Residencial Vitalitá
Entenda a troca de acusações e confusões que permearam o pleito:
Desentendimento em reunião
Em 11 de julho, uma advogada que reside no condomínio fez um Boletim de Ocorrência relatando ter sofrido ameaça da esposa do delegado da Polícia Civil que também reside no local.
Segundo o boletim de ocorrência, a advogada participava da reunião do condomínio, na noite de quinta-feira, quando começou a rir ao ver os adultos “batendo boca como criança da quinta série”. Uma das participantes ficou incomodada e, conforme o documento policial, bateu no peito e gritou: “sabe quem eu sou?”. Na sequência disse ser advogada e esposa de delegado.
Caso de improbidade
Na tarde da última terça-feira (16), um grupo de seis moradores entrou com uma ação judicial na 8ª Vara Cível de Campo Grande pedindo a exclusão de um dos candidatos, o militar Marcus Paulo Velozo, apontado como autor de improbidade, perante a justiça do Rio de Janeiro. De forma administrativa, o pedido foi negado pela comissão eleitoral e posteriormente pela Justiça de Mato Grosso do Sul.
A Juíza do caso, Gabriela Müller Junqueira, entendeu que a condenação de Velozo não resultou em sanções como ressarcimento, multa ou suspensão de direitos políticos.
Ao Campo Grande News, Marcus Paulo Velozo enviou nota à época esclarecendo os fatos: “Frente às acusações que visam atingir minha honra, é importante destacar que não houve má-fé ou dolo, tampouco uso do recurso para benefício próprio. Trata-se de um erro documental, fruto da inexperiência e do afã de resolver algumas pequenas demandas imediatas do quartel”, disse o coronel aposentado ao portal.
E prossegue: “Informo ainda que fui absolvido por unanimidade no Superior Tribunal Militar. Desde então, progredi normalmente na carreira, recebendo diversas honrarias e méritos, sendo promovido ao cargo máximo que me cabia, coronel, sem nenhum atraso ou prejuízo. Tais promoções não ocorreriam se houvesse comprovação de má-fé ou qualquer tipo de desvio. Na visão da promotoria, a falta de formalidade gerou prejuízo ao erário e, para resolver a questão, formalizou-se um acordo para ressarcimento”.
Caso de inconsistências na prestação contas
Os moradores do condomínio também questionaram por via administrativa a candidatura de Luiz Fernando Villar, atual síndico. Ele é acusado de não informar, de forma consistente, a prestação de contas em sua gestão. Luiz foi mantido candidato por decisão da comissão eleitoral.
Na última segunda-feira (15), a Polícia Civil concluiu inquérito contra o candidato Luiz Fernando por apropriação indébita. Conforme a investigação, não foram encontrados indícios de crime e o processo foi arquivado.
Luiz foi denunciado após supostas inconsistências na prestação de contas sobre a reforma de um campinho de futebol e a compra de materiais para as brinquedotecas das torres A e E. O material levado à polícia foi batizado como “Dossiê Condomínio Vitalitá”.
Conforme conclusão do inquérito, os valores dos descontos, que inicialmente não foram aplicados, foram devidamente restituídos pelas empresas contratadas. A modificação no projeto de cobertura do campo de futebol, que resultou na sobra de materiais, foi usada em outras obras do condomínio, e o restante foi armazenado para uso futuro. A duplicidade de notas fiscais foi explicada como um erro corrigido posteriormente.
Em nota encaminhada aos eleitores, o síndico afirma que as acusações contra ele são inverídicas. “Eu, Luiz Fernando Villar, síndico do Vitalitá, venho a público repudiar veementemente as acusações inverídicas de corrupção que têm sido divulgadas a meu respeito”.
Em síntese, a disputa pela administração do residencial teve um enredo repleto de conflitos e problematizações, que promoveram o pleito eleitoral à níveis de segurança pública e judicialização do caso. No melhor dos cenários, os eleitos deverão se colocar em ‘posição de mediação’ dos conflitos, para alcançar a pacificação dos moradores.



